terça-feira, 13 de outubro de 2009

Capítulo 4

Birthday Eve
Capítulo 4

Os absorventes. A risada. O beijo.

Tristan colocara o colchão de volta na cama, e olhara bem ao redor. A montanha de jornais velhos que estavam sobre a escrivaninha já havia sido descartada, e o chão fora limpo com cuidado. Ele colocara um tapete quente no quarto e testara o pequeno aquecedor. Depois de espanar o pó da cadeira e da mesa de cabeceira da cama, ele ainda livrara o pequeno guarda-roupa da maior parte das coisas. Por fim ele trocou os lençóis e fronhas da cama, colocou os travesseiros de volta e jogou por cima os cobertores. Aproximou o nariz de um dos cobertores felpudos e torceu para que Eve não reparasse no leve cheiro de coisa guardada por muito tempo que eles emanavam.
Colocou o abajur de volta na mesinha de cabeceira, abriu a porta do banheirinho anexo e o supriu com papel, e abriu a sacola que Riza lhe dera. Escova, pasta de dentes, pente, escova de cabelo... A garota pensara em tudo, e ainda fizera questão de comprar coisas consideradas “importantes” para não deixar nada faltando: batom, lápis para olhos, pó e algumas outras quinquilharias de maquiagem que Tristan jamais vira na vida.
Ele guardou as coisas nas gavetas do banheiro, deixou sabonete, xampu e condicionador na prateleirinha de dentro do box e pegou a última coisa da sacola. A caixinha escorregou de sua mão e caiu no chão, espalhando seu conteúdo. Dezenas de saquinhos macios e brancos caíram de qualquer jeito no piso. Ele estava guardando as coisas de volta na caixa quando percebeu o quê eram.
Seus olhos quase saltaram das órbitas quando se viu com mãos cheias de absorventes, enquanto corava tanto que sentiu-se arder. No ímpeto de vergonha, derrubou todos os absorventes novamente, e virou-se para sair do banheiro imediatamente. Saiu com tanta pressa do banheiro, que só percebeu Eve quando foi tarde demais.
Ele perdeu o ar quando viu a garota no quarto, totalmente nua e segurando uma pilha de roupas íntimas nas mãos. Tristan ficou roxo de vergonha, deu um passo em falso para trás, tropeçou na vassoura que tinha largado no quarto, sentiu o cabo de madeira bater secamente contra suas costas e nuca e caiu para frente, derrubando Eve com ele.
A primeira coisa que ele sentiu depois do impacto foi um suave cheiro de flores, enquanto seu rosto estava pressionado contra algo macio e quentinho. Tateou, meio tonto, e sua mão pousou em algo arredondado e suave. Sentindo-se cada vez mais confuso, levantou a cabeça.
Os olhos de Eve o encontraram. Ele estava caído por cima dela, e foi então que se lembrou que ela estava nua. A ruiva parecia surpresa com alguma coisa. Os olhos dele deixaram os dela e deu uma espiada no que estava embaixo de sua mão.
A porta se abriu bem devagar, e Josh colocou a cabeça para dentro do quarto, silenciosamente. Seus olhos bateram na figura de Tristan caído sobre a nua Eve, uma de suas mãos num dos seios dela. Os olhos dos amigos se encontraram.
Josh deu um sorriso para o amigo, fez um sinal de positivo com o polegar e saiu, fechando a porta silenciosamente.
“NÃO É O QUÊ TÁ PARECENDO!!!”


O loiro tocou cuidadosamente no galo que arranjara graças ao ataque do amigo usando comida congelada. Seu olho roxo e o galo na testa faziam um conjunto interessante, e Riza ainda ria. Tristan estava completamente corado, e olhava embasbacado para sua própria mão direita. A garota sentiu que era melhor não perguntar o quê acontecera no quarto de hóspedes.
A porta da cozinha se abriu e Eve abriu os braços, dado uma pequena voltinha ao redor de si mesma.
“E então, como ficou?” Perguntou ela com um sorriso.
A calça de moletom macio era perfeita para ficar em casa, e se moldava totalmente ao corpo incrível da menina. Para combinar com a calça preta, ela vestia uma camiseta de mangas compridas, totalmente branca, que mesmo sendo larga ainda assim mostrava suas formas perfeitas e seu seios grandes e bem feitos. Ela calçava um par de tênis comum, e parecia confortável naquelas roupas, além de estar muito linda. Para completar seu visual, ela deixara seus longos cabelos ruivos descerem livremente por suas costas. E eram tão compridos que lhe chegavam quase até os joelhos. Ela sorriu mais ainda, mas parecia preocupada com a opinião deles.
“Está perfeita!” Disse Riza, sorrindo também. Josh assentiu, e Tristan rapidamente baixou a cabeça de novo, as imagens de sua mente o fazendo corar mais ainda, mas também assentiu.
Eve então estreitou os olhos, parecendo pensativa. Moveu-se para trás e para frente, sem sair do lugar, e balançou os braços. Então, com as sobrancelhas unidas, numa carinha de concentração profunda, colocou uma de suas mãos por baixo da camiseta que usava. Ela deslizou o braço pelas costas, e fez mais umas caretas, até que subitamente enfiou sua mão na outra manga e a tirou, trazendo o sutiã branco consigo.
Com um suspiro de alívio, encarou a peça, enquanto Josh arregalava os olhos e Tristan parecia ter se esquecido de como se fazia para respirar.
“Incomoda” Disse Eve, em tom de explicação.
“Será que eu comprei muito pequeno?” Perguntou Riza, se aproximando da garota. “Era o maior que tinha na loja...”
Sem aviso nenhum, ela se postou defronte a menina e levantou a camiseta da garota. Com seu corpo na frente de Eve, os dois não podiam ver o quê elas estavam fazendo. Josh levantou-se para espiar, mas Tristan o puxou de volta.
“Não está apertado, você só vai ter que se acostumar, Eve” Ela sorriu para a garota, enquanto abaixava de volta a blusa da ruiva. “Realmente, Josh exagerou aqui em você, não?”
Eve não percebeu o olhar fulminante que a morena dava para seus seios. Josh não perdeu a piada.
“Fiz pensando em você, Riza, meu bem” Crocitou ele. Imediatamente, a garota pulou sobre ele e começou a apertar seu pescoço.
“MORRA SEU MALDITO!!!”
Um som musical e doce encheu a cozinha. Riza parou de esganar o garoto, mas não o soltou. O som continuava, e todos os olhos se voltaram para Eve. A ruiva estava meio dobrada, os braços ao redor da barriga, e ria livremente. Sua gargalhada era tão viva, tão bonita e simplesmente perfeita que por um minuto todos ficaram como em transe. Então, num rompante, Josh começou a gargalhar também, enquanto Eve ria de se acabar. Tristan não agüentou e começou a rir também, e logo até Riza os acompanhava.
Lágrimas de riso escorriam pelo rosto da ruiva, quando ela finalmente se acalmou.
“Não teve graça” Resmungou a morena, mas seu sorriso estragava o efeito reclamão.

A noite caiu rápido sobre a casa, e Riza montou em sua motocicleta, fazendo com ela um ronco ensurdecedor que fez Eve se esconder atrás de Tristan, mesmo com seu cérebro lhe explicando o quê diabos era aquela coisa. Josh montou em sua bicicleta e cada um foi para um lado, rumo às próprias casas. Tristan trancou a porta e apagou as luzes de fora.
“Quer mais bolo, Eve?” Perguntou, enquanto trancava a porta do quintal. A garota negou com a cabeça, entretida em recolher os garfos e pratos de plástico colorido. Fora um dia cansativo, e muito interessante. O garoto guardou suas coisas e se espreguiçou. Ele completara dezessete anos, mas nem percebera realmente. A aparição de Eve tirara toda a atenção de seu aniversário.
Ele levou os presentes dos amigos para seu quarto. Riza e Josh insistiram em buscarem seus presentes, durante a tarde. O jogo de Josh e o grande livro que Riza lhe dera eram ótimos, mas ele quase não deu atenção à isso, preocupado em fazer a ruiva se sentir confortável naquela casa.
Quando saiu do quarto, a garota estava parada no corredor. Ela havia trocado suas roupas com pijamas de flanela, quentinhos e confortáveis, apenas calças compridas e uma camiseta de mangas longas. Era incrível como ela parecia simplesmente linda em qualquer roupa que usasse. Os pensamentos do castanho opinaram que até mesmo se ela estivesse vestindo trapos ainda pareceria a garota mais linda do mundo.
Ele corou.
“Boa noite, Eve... hã...”
“Boa noite!” Sorriu ela, agitada e luminosa como sempre. Tristan entrou numa espécie de transe, com aquele sorriso lindo direcionado a ele, e por isso só percebeu que ela estava perigosamente perto quando já era tarde demais.
Os lábios dela, quentes como fogo, se encostaram suavemente na pele de sua bochecha corada. Foi um único instante, mas todo o corpo do rapaz respondeu imediatamente. Foi a primeira vez em sua vida que sentiu aquele ímpeto selvagem de agarrar a ruiva pela cintura e beijá-la tão profundamente que tudo o mais desaparecesse. Ela se afastou, deixando para trás seu perfume suave de flores.
Tristan ficou, acariciando a própria bochecha.

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