quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Capítulo 13

Birthday Eve

Capítulo 13

O despertar. O manual. Tristan


Eve dormia, um sono exageradamente tranqüilo, a ponto da menina estar completamente imóvel. George abriu uma de suas pálpebras e apontou a lanterna direto para o olho muito verde que expusera. A dilatação não aconteceu.
Suspirando alto, ele guardou a lanterna, checou suas anotações no prontuário que pendurara aos pés da maca e anotou o estado da paciente. Então saiu do cubículo plástico e rumou para a cozinha, sentindo a necessidade imediata de café.
Melissa Malber estava lá, tomando uma grande xícara de um café preto forte e bem saboroso que ela preparara. Josh estava dormindo no quarto de Tristan, e Riza deveria estar fazendo o mesmo, no quarto de Eve. O médico examinou a mulher a sua frente.
Melissa engravidara aos vinte anos exatos. Ela jamais contara a ninguém quem era o pai da criança, e decidiu criá-la completamente sozinha. Em cinco anos, sua pequena indústria era uma mega empresa que lhe rendera uma fortuna considerável e uma vida mais que confortável. Mesmo agora, dezoito anos depois que contara aos pais que daria luz a um bebê e fora expulsa de casa, ela ainda conservava a beleza estonteante que sempre tivera. Os cabelos loiros eram lindíssimos, e pareciam brilhar na penumbra da cozinha. Seus olhos cor de safira eram absolutamente encantadores, e sua pele cuidadosamente bronzeada escondia a leve formação de rugas ao redor dos olhos enquanto algumas doses comedidas de tinta importada apagavam seus pouquíssimos cabelos brancos. Ela sorriu para ele, e foi como se um anjo o fizesse.
“Tem café na cafeteira” Informou ela. “E eu fiz um pouco de sopa, mesmo que acredito que ninguém vai comer até a garota acordar”.
Ela se recostou no balcão enquanto George extraía um pouco de café fresco da cafeteira.
“Doutor...”
“Me chame de George” Sorriu ele. “Por favor”.
“George, então. Quem é a garota? De onde ela veio?”
O homem sorriu olhando pela janela para a noite escura, carregada de nuvens pesadas de tempestade.
“Se eu contasse... Você não iria acreditar”.

Tristan estava acordado a horas. Toda vez que fechava os olhos, via os grandes olhos mortos do homem de preto. Ele lavara tanto as mãos que achava que logo arrancaria a pele, e mesmo assim ainda conseguia ver sangue nelas. O sangue escuro como tinta do homem que matara.
Bateu fortemente a parte de trás da cabeça na parede, como se isso pudesse interromper seus pensamentos negros. Não, nada poderia apagar seu crime. Mesmo que ninguém o culpasse.
Riza estava dormindo em seu colo. Ela conversara um longo tempo com ele, mas caíra no sono, exausta depois das horas sem fim no avião, quase morrendo de tão preocupada. Ela era assim, sorriu ele. A irmã mais velha, eternamente protetora.
Ele deu mais um gole no grande copo de leite com mel que ela lhe trouxera. Ele ainda lembrava, do dia em que seus pais brigaram e Mark, o sempre ocupado advogado que era seu pai, saíra de casa. ‘Por uns tempos’ ele dissera, para esfriar a cabeça.
Ele tinha sete anos, e Riza faria oito em duas semanas. Ela o procurara na gruta, onde ele sempre se escondia, e ficara com ele até a noite. Naquela vez ela também trouxera leite com mel, e eles falaram sobre seus sonhos, sobre as estrelas, sobre como ela gostaria de...
Tomou outro longo gole. Há tempos que o leite esfriara, mas ele não se importou. Riza falara sobre seus sonhos mais uma vez, e sobre vida e morte, dor e paixão, as sete pessoas com quem eles passariam uma semana sem se desgrudarem, e que tipo de sanduíches levariam para uma ilha deserta.
Ela ainda insistia em atum com maionese quando simplesmente desabara de sono no colo dele. O rapaz passou a mão por seus curtos cabelos negros, um carinho leve que ele sempre fazia nessas situações.
Uma vez ele dedicara toda uma tarde tediosa a examinar a opção de casar com Riza. A tarde acabou e ele ainda não havia chego a um veredito, mas agora ele sabia. Ela era a melhor amiga que alguém poderia ter, e estaria sempre ali, onde quer que fosse, exatamente quando ele precisasse. E quando não precisasse também.
“Ei, maninha” Murmurou ele no ouvido dela. “Que tal ir para a cama?”
Ela murmurou algo sobre rosbife, e ele riu baixinho.
Com cuidado, passou os braços por baixo do corpo dela, e a levantou. Riza não era tão leve como Eve, mas era tão pequena que mal se percebia a diferença. Ele a levou para o quarto da ruiva, e a deitou na cama. Então cobriu seu corpo com um dos grossos cobertores que havia dado à garota-presente e se foi, depois de deixar um beijo na testa da agora irmã.
Depois que ele se foi, Riza ainda chorou por algum tempo, meio de tristeza, meio de felicidade, até finalmente voltar a dormir.

O leite fizera algum efeito. Quando Riza o encontrou na manhã seguinte, ele estava profundamente adormecido, na pequena cadeira dura que havia ao lado da maca de Eve. Ele adormecera com a mão pálida dela entre as suas, e a cabeça estava pousada sobre a barriga da menina, como se ali fosse o mais confortável travesseiro de todos.
A morena pensou longamente se devia acordá-lo, depois de passar longos minutos nas nuvens ao ver aquela cena tão profundamente romântica. Uma pena, decidiu ela, que aqueles dois não simplesmente se davam conta de como eles eram um perto do outro, e como eram mais perfeitos que tudo quando estavam juntos.
“Quem dera que George fosse assim comigo” Resmungou ela baixo, enquanto gentilmente acordava Tristan.
“Que tem eu?” Perguntou o médico, entrando nessa hora. Riza derrubou o amigo da cadeira, literalmente, e sentou-se, agarrando a borda do fino colchão da maca e apertando o peito de susto, enquanto ficava vermelha como um pimentão ao sol.
“Riza? Que foi? Você está se sentindo bem?” Perguntou o médico, enquanto Tristan acordava com o impacto e despejava um jorro de palavrões e maldições. Não era o dia mundial do bom-humor para ele, ou pelo menos parecia.
“...pariu” Terminou ele, levantando-se, e dando de cara com o trio, sendo que Eve continuava no reboot, totalmente alheia ao resto do mundo.
“Desculpa!” Riza correu para ajudá-lo, mas tropeçou nos fios do desfibrilador e quase rasgou a parede do cubículo plástico. Humilhada por sua própria idiotice, resmungou algo sobre tomar café e correu escada acima, para gritar consigo mesma com a cara enfiada no travesseiro.
Tristan segurou a mão de Eve mais uma vez, e então saiu, sentindo o pescoço duro e as costas reclamando das horas passadas na posição desconfortável. George sorriu para si mesmo, enquanto tirava a pressão de Eve.

O computador o distraiu um pouco. Tristan precisava terminar de escrever o resto de seu novo programa, e com um pouco de sorte poderia vê-lo funcionando. Pensou que um dia daqueles ligaria para Arty para pedir umas dicas. Sorriu com a idéia. No mundo todo, só havia uma coisa que Arty não conseguia fazer com um computador: criar jogos. Ele simplesmente era péssimo em desenvolver um enredo e missões, histórias paralelas, personagens e tudo o mais que um jogo pedia.
Já Tristan desde pequeno gostava de jogar. Assim que ganhara seu primeiro computador, aos dez anos, a primeira coisa que quis aprender fora fazer seu próprio jogo. Quase desmaiara ao ver o tamanho das apostilas e equações que teria de estudar, mas jamais desistira.
Ele riu ao lembrar que passara uma semana praticamente trancado no quarto para escrever seu primeiro jogo. E da cara que seu pai fizera quando ele mostrara o microscópico joguinho estilo “MARIO” que ele criara. Mark lhe comprara um sorvete de quatro bolas e cobertura dupla, enquanto a mãe lutava com as teclas para jogar. Hellen era péssima com vídeo-games.
Mas a mãe designer de carros era excelente com lápis, papel e aquarela, e desenvolvera mais ainda suas habilidades de desenho ao adquirir alguns programas para seu trabalho. Fora ela que desenhara, pacientemente, muitos dos personagens que Tristan usara em seus jogos, além dos cenários, fundos e desenhos. E a mulher sempre sorridente e com a paciência infinita se encantara tanto com as idéias do filho como com os programas de modelagem em três dimensões.
E foi pensando em todas as horas que passara na frente do computador escrevendo jogos que ele lembrou porque não tinha a mínima chance com garotas.
“Que coisa de Nerd” Murmurou para si mesmo, decidindo por deixar para lá o programa. Abriu o navegador e decidiu checar seus e-mails.
E foi assim que encontrou o Manager.

Josh estava espumando. Sua mãe estava lá embaixo, toda derretida por aquele médico fajuto. Agora ele entendia como Tristan podia tratar o patife tão mal. Tudo bem, era irritante ver ele dando em cima de Eve, mas era absolutamente nojento ver ele dando em cima de sua mãe. Mãe é mãe, poxa! Elas deviam ser proibidas de ficar próximas de outro homem que não o pai da gente, e olhe lá.
A porta do quarto de Tristan se abriu.
“Josh, pode ir na papelaria e comprar um pacote de papel de impressão?” Perguntou o amigo, metendo a cabeça para fora do quarto. O barulho da impressora surgiu atrás dele, quando a porta foi aberta. “Pega o dinheiro no pote da cozinha”.
“Quanto de papel?” Perguntou ele.
Tristan pensou por um longo instante.
“Cinco pacotes grandes. E compre dois cartuchos para minha impressora. Pretos”.
Os olhos do loiro se arregalaram.
“Pra que tudo isso?”
Mas o amigo já tinha fechado a porta.

Tristan sentiu um alívio quando a última folha foi cuspida para fora da máquina. Ele precisara de três cartuchos no fim das contas, o que já usava, o que Josh comprara e um que encontrara na gaveta. Mais um cartucho colorido.
Ele ajeitou as folhas, e então foi até o escritório do pai, sempre empoeirado e trancado a chave.
Pegou a grande máquina de ferro que Mark usava para perfurar e encadernar os livros e documentos que imprimia, e voltou para seu quarto. Posicionou uma parte das folhas na máquina e quase pulou em cima dela para fazer os dois grandes pinos afiados cortarem uma dupla de círculos perfeitos em cada folha, separados o mesmo tanto. Colocou outra parte das folhas e apertou novamente, até que todas estivessem perfuradas.
Voltou para o escritório, guardou a máquina e pegou dois grandes pinos de plástico, do tamanho exato dos furos e que se pareciam com dois brancos parafusos, com porcas plásticas junto.
Passou os pinos pelos furos, atarraxou as porcas e sorriu, satisfeito com seu trabalho. Então colocou o hiper-grosso livro às costas e desceu as escadas, chamando todo mundo.

Josh sentiu o impacto na mesa quando Tristan colocou não muito delicadamente o grande livro feito em casa. Era da grossura de seu braço.
“Você imprimiu a Wikipédia?” Perguntou ele, cogitando seriamente aquela possibilidade. Nem os livros de informática que Tristan às vezes imprimia eram monstruosos assim, e ele se lembrava de quando a mãe do amigo o pegara imprimindo “só” duzentas páginas. Tempos duros.
“Não, idiota” Disse o ‘amigo’. “Isso, senhoras e senhores... É o Manual da Eve”.
Um instante de silêncio percorreu todos, então Josh, Riza, George e, incrivelmente, Melissa, saltaram para a frente, tentando agarrar o manual.
“O primeiro manual sobre uma mulher!” Gritou Jozua, que levou um tapa da mãe. George sentia o lado masculino concordar com Josh, o lado médico querer botar as mãos naquilo e o lado cafajeste querer aproveitar a linda visão que Melissa, praticamente deitada sobre a mesa, lhe proporcionava.
Tristan ficou com o manual.
“Eu o encontrei no meu e-mail. Ao que parece, caiu numa caixa de Spam por ser grande demais. Tive de separar o arquivo em dez partes para poder baixá-lo e imprimir.” Ele sorriu. “São três mil páginas, minha impressora simplesmente morreu quando terminou. E aqui pode haver a resposta para o que está acontecendo.”
Ele parou um instante.
“Mandei as informações de meu e-mail para Arty. Ele vai rastrear o e-mail e descobrir talvez de onde ele veio. Desta vez não é Entregas Elder, mas sim a verdadeira empresa que criou a Eve!”
Havia uma única palavra na capa do manual.
“MANAGER” Leu George. “’Gerenciamento’?”
“Na verdade, é uma espécie de abreviação de ‘Manual de Gerenciamento’” Corrigiu o castanho, abrindo num absurdamente extenso índice. Então começou a virar as páginas.
“Informações médicas” Disse George, de repente. Tristan, que parecia já esperar por isso, desatarraxou os pinos que reuniam as folhas e passou o capítulo para o médico.
“Teorias sobre a construção” Exclamou Riza, pegando aquele capítulo para ela.
“O que é um Homo Sinteticus” Falou Melissa, suavemente, apanhando as folhas para ela, como os outros.
“Como funciona o cérebro feminino!” Gritou Josh, as mãos indo em direção ao capítulo. Riza e Melissa chegaram antes dele e guardaram as folhas.
“Acho que isso vai ficar melhor com a gente” Disseram elas, juntas, rapidamente escondendo o capítulo. Josh, Tristan e George soltaram um grande suspiro, em uníssono.
“Talvez haja um capítulo sobre como as mulheres conseguem se aliar tão rapidamente” Resmungou Josh. Riza checou as folhas roubadas e sorriu largamente.
Finalmente, chegaram numa folha em branco, cuja única palavra era ‘Segundo’.
“O Manual é divido em Seções” Explicou Tristan, ainda virando as páginas. “Dentro delas, Capítulos, e dentro destes os Tópicos. São 5 seções: ‘Humano’, ‘BrainSys’, ‘Técnico’, ‘Erros’ e ‘Adicional’. O que procuramos é a Seção BrainSys, capítulo Reparações de Danos, tópico V: Reboot”.
Eles trafegaram por meia hora entre as páginas até encontrarem a certa. Tristan rapidamente copiou num pedaço de papel à parte o que dizia o tópico.

Reboot. Rep.Erro Nº 2178297483029. Quando o Hardware sofre danos acima da média, entra num estado de reparação acelerada, desligando o Software, o Hardware e todos os Periféricos de Hardware. O Case fica em estado semelhante à catatonia, enquanto o sistema se repara. Ao fim do processo, ocorre o Reboot, onde o Software carrega a BIOS de iniciação e dá a partida de reinício nos Periféricos. O Reboot pode demorar de um minuto até seis meses, dependendo do dano no Hardware. Caso não haja reparação, o sistema resetará completamente e irá desligar, esperando troca manual do Software, Hardware ou Periféricos com danos.
Ao fim do Reboot o Case pode sofrer de tiques nervosos, confusão espaço-temporal e dores de cabeça por períodos de alguns dias a oito semanas. A lista de analgésicos e controladores aceitados segue baixo:”

George copiou no bloco de receitas todos os remédios listados, e sentou-se repentinamente exausto e com dor de cabeça.
“Não entendi quase nada do que está escrito” Confessou. “Software? Hardware? Case?”
Riza também ficou em dúvida, enquanto Josh e Melissa estavam simplesmente vazios nos rostos, sem terem entendido absolutamente nada.
“Acredito que eu possa decifrar” Declarou Tristan. Ele leu várias vezes o texto, e então sorriu. “É nojento, mas é fácil”.
Ele pegou uma panqueca e a enfiou na boca, a fome voraz o atacando.
“Um computador é formado pelo Hardware, a máquina física, que podemos trocar e tocar, e o Software, os programas, que controlam a máquina. O BrainSys é formado desta forma: o computador implantado no cérebro de Eve, que seria o Hardware, e o BrainSys propriamente dito: um programa que lida com o banco de dados e distribui as informações.”
Ele pegou outra.
“O Case é um termo para... Digamos... Capa. É a caixa onde a máquina vai dentro, para não expor os componentes frágeis, e para transformar o computador numa coisa mais bonita e agradável. Como a lataria de um carro, que protege o motor. Neste caso o ‘Case’ é a própria Eve, já que é ela que protege o BrainSys dentro dela”.
“E dá o visual bonito” Sorriu Josh, levando uma cotovelada de Riza.
“O que o manual diz é simples:” Continuou o rapaz, tomando um gole de suco. “Se a máquina física sofrer algum dano muito sério, o programa tenta consertar o estrago, para isso ela desliga tudo e dá toda a atenção para o concerto. Como se fechassem a loja para que não houvesse clientes distraindo enquanto concertam o encanamento.”
“Os Periféricos?” Perguntou Riza.
“Isso. O computador é só o computador mesmo, a máquina. O monitor, o teclado, mouse, caixas de som... São chamados de periféricos. Eles são acoplados no motor principal, não são parte dele. Importantes, mas podem ser trocados sem ter de mudar algo dentro da máquina. Quando a gente troca de teclado, não precisa abrir o computador, entende. Acho que deve ter algo que coloque as informações no cérebro de Eve, e também alguns outros, para controlar o aparelho. Eles são desligados primeiro, deixando só a máquina funcionando. E depois ela desliga tudo o que não é importante, se concentrando no concerto.”
Ele olhou para Eve, lá na sala, dentro da salinha de plástico e máquinas a examinando o tempo todo.
“Eve fica nesse estado até que a máquina consiga se concertar. Então, o programa religa de novo, rodando a BIOS, que seria um programa mais básico que há, só pra ligar as partes físicas e ver se está tudo bem. Caso dê tudo certo, ele volta a funcionar normalmente, e a Eve sai deste coma.”
Então ele olhou para George.
"Mas se o programa não conseguir concertar o estrago, ele vai resetar. Vai eliminar tudo o que foi acrescentado nele, voltando ao estado de fábrica, que é como ele foi feito. Tudo que o banco de dados aprendeu, todos os registros que ele poderia ter guardado... Some tudo. E então ele desliga. Ele só volta a funcionar se alguém trocar manualmente a peça. Ou seja...”
George desviou os olhos para observar a paciente.
“...Abrir o crânio de Eve e trocar a peça quebrada” Terminou ele, no lugar de Tristan. “E se o BrainSys desligar, o que acontece? Se a Eve é humana, ela deve conseguir viver sem o sistema, não é? Afinal, eu não tenho nenhum computador na cabeça e estou vivo, não?”
“Não” Disse Riza, assustando a todos. Ela mostrou um dos papéis que estivera examinando. “Segundo isso, a gente não deve encarar Eve como alguém que teve um computador colocado no cérebro. O BrainSys não foi inserido nela, ele se desenvolveu junto com ela. Não é como um braço mecânico, mas um membro que foi enxertado nela. Se for tirado, ela sofrerá as conseqüências de ter perdido um membro como qualquer outro.”
Tristan virou furiosamente as páginas e leu o tópico específico, ficando branco logo em seguida.
“Riza tem razão. Aqui diz o mesmo: ‘Se o Sistema for desligado, o Case morrerá em 5 dias sem ele”.
Josh pegou o manual e o girou até as últimas páginas.
“Quando meu computador quebra, no manual tem uma lista de lugares onde posso comprar peças para substituir. Deve haver algo assim aqui.”
E quando eles se debruçaram para procurarem a lista, Eve acordou.

Ao primeiro gemido cansado da garota, todos estavam ao redor da cama. Tristan segurou sua mão.
“Eve?” Perguntou ele, a boca repentinamente seca. “Tudo bem com você?”
A garota elevou sua mão esquerda, até o rosto dele, numa carícia tão delicada e suave como uma pena.
Então ela tentou matar Tristan.

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