domingo, 16 de maio de 2010

Capítulo 22

Birthday Eve

Capítulo 22

O desafio. O clube. A chance.



Sarah separou com cuidado todas partes, depositando tudo sobre o forro de plástico-bolha que ela fizera. Removeu todas as embalagens meticulosamente, assim como as etiquetas e preços. Apertou a ponta da língua entre os dentes, concentrada, enquanto organizava gentilmente todas as peças, pronta para começar.
Lavou, desinfetou e enxugou todas as peças de vidro, inclusive a parte principal, seguindo atenciosamente todas as instruções do manual de montagem. Colocou o forro no móvel que Josh instalara em seu quarto, o pano preto impedindo que tudo escorregasse e que as partes mais pesadas riscassem o móvel quando fossem movidas. Em cima dele, veio a caixa principal, de vidro, já limpa e totalmente transparente.
Com os dois sacos de pedras coloridas, preencheu a camada do fundo da caixa, misturando as cores e tamanhos, fazendo pequenas elevações e depressões. As plantinhas reais e plásticas foram organizadas, suas bases ou raízes presas pelas pedrinhas. Um pequeno navio afundado feito de porcelana foi colocado no fundo, e ela ajustou o termômetro, bomba e motor. Ligou tudo nas devidas tomadas atrás do móvel, e então colocou a água, esperando até que a temperatura estivesse correta.
Nervosa e mordendo a língua com mais força, ela baixou o primeiro saquinho transparente para dentro da água, molhando seus braços até os cotovelos. Então o abriu, deixando seu conteúdo vagar livremente pelas águas ligeiramente mornas. Fez isso com os outros dois saquinhos, e então baixou com delicadeza a tampa, checando mais uma vez se estava tudo no lugar certo. Organizou meticulosamente as redinhas, rações e remédios, tudo no móvel, de forma organizada e de fácil acesso.
Então, na parte debaixo do móvel, guardou o manual, os dois guias de iniciante, o pequeno livro ilustrado e um caderno e uma agenda, por ordem de tamanho. Finalmente, satisfeita, pôde admirar seu trabalho.
Dentro do aquário, nadavam os peixinhos coloridos, explorando o navio afundado, as depressões e elevações, se enfiando entre as plantas, descansando daquele jeito parado, que se movimentava aos poucos, os olhos sempre bem abertos, as boquinhas se movendo sem parar como se murmurassem segredos aquáticos que só os ouvidos certos poderiam entender. Sarah esparramou-se no tapete felpudo, e ficou ali por horas, totalmente arrebatada, admirando seus peixinhos e seu lindo aquário. Fora o melhor presente que ela jamais ganhara.
Na verdade, quem ganhara o melhor presente fora Josh, que recebera até agora mais de duzentos agradecimentos da loira, além de abraços, pequenos beijos e mil sorrisos de tirar o fôlego. Ele se recostou no batente da porta dela, e sorriu também. Ao vê-la jogada no tapete, ligeiramente amarrotada, olhando para o aquário como se fosse a melhor coisa do mundo, ela lembrava sem sombra de dúvida que era irmã de Eve.

A ruiva mordia a parte interna de sua bochecha enquanto olhava para sua obra. Não fora, nem de longe, o seu melhor, e decididamente, para todos os efeitos, estava horrível. Ela devia ter colocado mais cor, e esperado mais tempo. Acabara cedo demais, e agora tinha em suas mãos um trabalho decididamente estragado. Era uma pena.
Suspirando, colocou um pouco na boca, e então fez uma careta, junto de Riza. A morena levantou, indo buscar um pouco d'água, enquanto engasgava.
“Eve, você se superou” Resmungou ela, tossindo e procurando alguma coisa mais gostosa para disfarçar o gosto. “É a primeira pessoa que eu conheço que consegue estragar até ovo cozido”.
“Foi o sal” Retrucou Eve, tomando água também. “Acho que coloquei demais”
“Você tirou cedo demais, ainda estava meio mole. E exagerou no óleo” Informou Riza, encontrando um pouco de chocolate. “E a salada ficou murcha, e olhe que era só pra temperar. O que diabos você fez no arroz?”
“Ele parece bom pra mim” Resmungou a ruiva, corando.
“Não sabia que você gostava dele assim marrom”.
Eve corou mais ainda, e baixou a cabeça.
“O suco está gostoso, pelo menos” Tentou Riza, sorrindo amigavelmente.
“É porque ele é de saquinho, foi só jogar na água”.
O silêncio pairou por um longo minuto na cozinha, e então as duas começaram a rir.
“Realmente, é um alívio descobrir que você é uma péssima cozinheira” Disse Riza, colocando pra longe de seu prato qualquer coisa que tenha passado pelas mãos da ruiva e quebrando outro ovo na frigideira.
“Por quê?”
“É bom saber que você não é perfeita em tudo.”
Eve sorriu, meio ofendida e meio lisonjeada. Sua barriga roncou, e ela riu de novo, junto da amiga. Perguntou se Riza queria ajuda com o almoço, e foi ameaçada com uma colher de pau.
“Fora da cozinha, ruiva, eu quero comer algo aceitável, pelo menos” Brincou Riza. Eve fez uma careta e lhe mostrou a língua, antes de sair da cozinha de uma vez, já que as ameaças estavam cada vez mais violentas.
Ela subiu para o quarto de hóspedes onde havia se instalado, e olhou para sua bagunça pessoal. Mesmo que a cama estivesse arrumada, e todas as roupas guardadas no guarda-roupa, ela usara um canto do quarto como ateliê privado, e poderia levar qualquer um à loucura.
Forrara o chão com diversas camadas pisoteadas de jornal, além de colar vários nas paredes para apararem os pingos de tinta. Seu cavalete estava montado, e ao lado havia uma mesinha de dois andares, lotada de potes de tinta e pincéis. Sua palheta estava pendurada num gancho, e vários panos úmidos viviam uma vida agitada debaixo da mesinha. Várias telas prontas se enfileiravam no chão, algumas em pilhas, nenhuma com moldura. Livros de pintura, história da arte e técnicas abarrotavam sua escrivaninha, vindos de várias bibliotecas e sebos. Uma prateleira fora assaltada por tantos livros que ela comprara que parecia se envergar aos poucos, quase desistindo e caindo de vez.
Por ter dominado totalmente a escrivaninha, ela fazia suas lições ou no chão, ou na cama, e colocara seu porta-lápis e cadernos no chão, ao lado da escrivaninha. Nas paredes, desenhos e rabiscos, projetos e ideias se juntavam, colados uns por cima dos outros, numa bagunça visual monumental. As gavetas estavam cheias de papéis parecidos, cadernos onde ela copiava frases que gostava, desenhos à lápis, secretos, do rosto de Tristan. Mesmo que o quarto fosse grande, era difícil se movimentar ali, naquela bagunça onde só a ruiva conseguia se orientar. Ela abriu seu guarda-roupa, abriu uma gaveta, remexeu um pouco e tirou um bloco de papel grosso, já com alguns rabiscos. Escolheu uma folha limpa, em branco, e procurou em seus porta-lápis um carvão. Delicadamente, começou a esboçar um rosto. As formas surgiam aos poucos, ela queria desenhar um homem que vira na rua, enquanto voltava da escola. Se interessara por suas sobrancelhas grossas e barba rala, e queria copiá-las no papel, mas estranhamente as sobrancelhas saiam finas demais para o rosto que queria. Curiosa, deixou-se levar pelo instante, ao invés de engrossa-las. As formas do rosto surgiram, enquanto ela tentava compreende-las, curiosa. Sua mão se movia rapidamente pelo papel, adicionando sombras e detalhes. Riscos, formas, e olhos surgiram, reservados, ligeiramente obscuros, com força. A boca se fez, as orelhas, as linhas de seu rosto jovem. Traços escuros deram forma a sua face, e desceram de seus cabelos, ligeiramente despenteados, caindo um pouco sobre os olhos fortes, bagunçados e suaves.
O desenho acabou, e Eve engoliu em seco. O rosto de Tristan a encarava, com um sorriso leve, meio tímido, como ele sempre fazia perto dela. Um sorriso que estava muito mais em seus olhos que em seus lábios, sempre discreto, como uma luz que brilha levemente, sem iluminar totalmente, mas jamais apagada de todo. A garota mordeu os lábios, e então encarou o carvão em suas mãos com raiva, como se o rosto ali fosse culpa dele.
Amassou o desenho, sentindo um prazer selvagem ao ouvir os estalos do papel, ao sentir que destruía aquele rosto silencioso. Transformou a obra numa bolinha que cabia na palma de sua mão, e então sorriu maldosamente ao lançá-la pelo quarto e vê-la bater na parede com força. Guardou o bloco, irritada, e jogou o carvão de qualquer jeito em seu porta-lápis. Ela precisava almoçar, depois daquilo.
Parou no meio do quarto, ouvindo o chamado de Riza para descer. Suspirou, pegou a bolinha em sua mão e a desamassou, contrariada. Alisou o desenho o máximo que pôde, sem manchá-lo, e então abriu uma de suas gavetas, tirou os cadernos pesados e o guardou ali, bem escondido, junto de outros desenhos de Tristan, todos amarrotados. Sentindo raiva de si mesma, mas com um leve sorriso em seu coração, desceu para almoçar.

A professora de artes finalmente conseguiu alguns minutos de folga, e decidiu encontrar a ruiva. Na verdade, ela estava um pouco nervosa, principalmente por ter uma mente um pouquinho gananciosa. Aquele passo era importante. Sua carreira estava, sem dúvida, terminada, e ela não sentia vontade de retomá-la. Havia coisas, coisas em sua mente e em seu coração, que diziam que ela jamais seria a mesma artista. Mas ali, entre aquelas cabecinhas ocas que surgiam todos os anos para sujarem a tela de tinta, havia uma esperança.
Ela protelara aquele momento por anos, desde que Clarisse surgira em sua sala. Era uma chance, mas ela não queria realmente agarrá-la. Sentia que não havia dom verdadeiro na menina, e se houvesse, estava encoberto por pesadas camadas de arrogância e má educação. Mas ali, naquela ruiva, havia força e dom de verdade. Pulsante, forte, ousado. Ela se lembrava da genialidade da menina em sua primeira aula, da expressão em seus olhos verdes. Ela só vira aquilo em uma única outra pessoa, e o arrepio que sentira fora o mesmo.
Havia, sem dúvida, um pouco de Jared naquela menina. E, mais do que qualquer coisa, Misty queria colocar toda aquela habilidade e genialidade para funcionar a todo vapor.

Eve fora chamada na sala da diretora, de forma discreta e firme, por um de seus professores. Ela estava almoçando com Line, Paul, Juliet, Riza e Josh. Tristan estava numa outra mesa, onde vários garotos de óculos grossos e roupas bem-passadas discutiam aos sussurros, apontando coisas em grandes papéis que o rapaz trouxera. Ele dizia que não havia fonte melhor de pesquisa e solução de problemas que os nerds da escola, que se acotovelavam para verem o software que Tristan desenvolvera, e ajudarem-o a fazê-lo funcionar. Dois dos tais nerds traziam notebooks, nos quais digitavam furiosamente. Tristan dizia alguma coisa, e ela conseguia entender algumas palavras como “funções múltiplas” e “tratamento de erros por A.I.”, não que entendesse muito.
Ela acompanhou o professor de Educação Física, os outros alunos olhando para ela com curiosidade. Sarah estava num canto escondido do gramado, enquanto Clarisse fumava (e ela tossia discretamente), e conseguiu ver a irmã rumando para o prédio principal. Não conseguiu conter o sorriso, ao ver que possivelmente ela estava encrencada, e cutucou a amiga para desfrutar também da cena.
A sala da diretora estava cheia. Além da própria Sra. Melody, havia também a professora de Artes, dois homens vestidos impecavelmente, uma moça loira de vestido manchado de tinta e uma mulher muito velha, que segurava um lenço contra o rosto, como se tivesse acabado de espirrar.
“Sente-se, porr favorr, senhorrita Bell” Disse a diretora, com seu sotaque esquisito, e apontou uma cadeira. Eve agradeceu e sentou, nervosa.
A diretora lhe brindou com um sorriso duro e rápido.
“Entendo que esteja nerrvosa, senhorrita, mas não está aqui porr alguma estrripulia.” Disse ela. “Na verrdade, a senhorra Quimberly gostarria de lhe fazerr uma proposta”
A professora de artes sorriu para ela.
“Eve, antes de mais nada, é preciso que essa conversa fique em segredo. Não queremos que os alunos tenham ideias erradas sobre isso, e principalmente que achem que estamos elegendo favoritos.” Ela sorriu. “Na verdade, fiquei muito surpresa com seu desempenho em minhas aulas. Você já tinha pintado antes?”
“Não, senhora, nunca” Era melhor prezar pela educação e a verdade. “Eu apenas desenhava, com caneta e papel comuns, e nem sabia muito sobre arte ou pintura”.
“Assombroso!” Murmurou a mulher velha, dentro de seu lenço.
“Pois bem, Eve. Sua habilidade impressionou algumas outras pessoas que conheço. Peço desculpas por não ter pedido autorização, mas acabei mostrando seus trabalhos para alguns conhecidos, que estão nessa sala. E decidimos que seu talento deve ser aproveitado, se assim você quiser”.
Ela pegou um envelope lacrado.
“Há alguns anos, o Clube de Arte de nossa cidade fez uma parceria com a Academia. Os professores procuram alunos com habilidades e dons para a pintura, escultura, literatura ou qualquer outra forma de arte, e os indicam para o Clube. Há classes especiais lá, de conteúdo avançado e dirigido. Aulas, exposições, palestras e tudo o mais. Sabia que nossa cidade já foi berço de grandes artistas? Foram alguns deles que fundaram o Clube de Arte, para que possamos preservar nossa posição e lançar futuros talentos no mundo das artes.”
Misty rompeu o lacre do envelope e o abriu.
“O Clube não possui, infelizmente, muitos alunos. É difícil e muito raro encontrar crianças com talentos que se destaquem, e para sobreviver, o Clube começou a abrir suas portas para alunos medianos, que se interessem em fazer algum de nossos cursos. Ainda assim, as classes especiais podem ser ativadas a qualquer instante, e os horários das aulas irão se adequar aos horários do aluno. Os senhores ali são Henry e Harry Immerman, os diretores do Clube de Arte. Eles vieram fazer uma proposta para você, Eve.”
Os dois apertaram sua mão e sorriram para ela.
O que devia ser Henry começou.
“Seus quadros realmente nos surpreenderam. Jamais vimos um talento tão jovem, e tão puro. Você tem o dom para a pintura, Eve, e há muito tempo procuramos alguém assim. A técnica que lhe falta nós podemos ensinar. Palestras, amostras, viagens, intercâmbios. Nosso Clube possui verbas, podemos lhe dar uma formação artística que poucos possuem.”
O que devia ser Harry continuou.
“Se a senhorita aceitar, podemos começar imediatamente. Poderá estudar três vezes por semana em nosso Clube, em sessões de três horas, durante o final da tarde. Segunda, terça e quinta. Das cinco até as oito, sem problema algum, e poderá desfrutar de nossa biblioteca, galerias e qualquer material que tivermos disponível.”
O que devia ser Henry completou.
“Por falar nisso, meu nome é Harry”.
O que devia ser Harry concordou.
“E eu sou Henry”.
Eve sentiu que desde que intuição para adivinhar nomes não fosse requisito para entrar, ela estava mais que empolgada, e aproveitaria ao máximo.
“Mas...” A realidade a sacudiu. “Quanto isso vai custar? É um clube privado, não?”
Os dois homens deixaram seus sorrisos se apagarem.
“Sim. Na verdade, nossos cursos são caros. As mensalidades, os custos, pagar professores especiais, entenda, não é barato.”
A professora lhe passou um papel. Havia números demais ali para que ela gostasse. Sentiu seu coração se apertar. Se pedisse à Riza, Tristan ou Josh, com certeza pagariam aquilo para ela, mas não era certo. Principalmente pedir para Tristan, já que estava brigada com ele, ou para Riza, que tinha seus próprios gastos e cursos. Ela sorriu, tristemente.
“Eu agradeço realmente a oferta, e fico muito honrada por tê-la recebido, mas não posso pagar.” Ela tentou fazer sua voz não demonstrar toda a tristeza que sentia. “Não posso aceitar.”
Estranhamente, a senhora idosa lhe sorria, por baixo do lenço.
“E é aí que entra minha proposta, também.” Disse ela, bem-humorada.
Eve ficou confusa.
“Eu sou Alva.” Disse-lhe a velhinha. “E também fiquei impressionada com seus quadros, senhorita Bell. Na verdade, nós todos examinamos sua situação financeira quando pensamos em fazer-lhe a proposta, e sabíamos que a senhorita não conseguiria bancar as mensalidades do Clube. Mas seria uma pena gigantesca desperdiçar um talento como o seu. Por isso, eu, a Academia e os senhores Immerman fizemos um acordo.”
Ela abriu a bolsa e tirou um livrinho de dentro, e vários papéis.
“O acordo é o seguinte:” Ela colocou grandes óculos de leitura e começou a ler o que o livrinho dizia. “A senhorita Eve Bell receberá um desconto de 20% em sua matrícula na Academia Melody. Esse dinheiro será doado inteiramente ao Clube de Arte, para pagar integralmente os custos de compra de materiais. O Clube de Arte generosamente irá dar um desconto de 50% no valor da matrícula especialmente para a senhorita Bell. E finalmente, eu, como diretora do Museu de Arte e Cultura da cidade, ofereço uma vaga de meio período para a senhorita Eve Bell, sendo todo o dinheiro de seu salário utilizado para pagar as mensalidades do Clube”. Ela fechou o livrinho. “Desta forma, se a senhorita aceitar, trabalhará para mim nas tardes de quarta e sexta e durante todo o sábado. Eu também lhe pagarei o almoço neste último dia. Desta forma, a senhorita poderá pagar as mensalidades do Clube, o material das aulas, e terá ainda a segunda, terça, quinta e domingo para fazer suas lições de casa da Academia e do Clube.” Ela lhe deu uma piscadela. “E tempo para sair com seus amigos e namorado”.
Eve corou até a raiz dos cabelos, e todos sorriram.
“Você aceita, Eve?” Perguntou a professora. “Vai ser um horário corrido, mas pode lhe trazer grandes vantag...”
Ela não pôde terminar, pois Eve se jogou sobre ela num abraço apertado. Nem mesmo Melody pôde reclamar daquela falta de etiqueta. A garota tinha lágrimas nos olhos enquanto dizia “sim”, e tantos obrigados a todos que pareciam não ter fim.
Finalmente ela se acalmou, assinou todos os contratos e recebeu um envelope.
“Para cumprir todas as formalidades” Disse Henry, ou Harry, ela já tinha se confundido novamente. “Você terá de entregar esta lista de trabalhos. Terá de comprar o material, e obedecer a todas as exigências. Se for aprovada pelo nosso conselho, poderá começar suas aulas na semana que vem, se conseguir entregá-los esta semana. Se não for aprovada, receberá seus trabalhos de volta para refazê-los e terá outra chance, começando no próximo mês. Boa sorte”
Ela agradeceu e finalmente saiu da reunião, abraçada no seu maço de envelopes, contratos e guias. Conseguira uma chance de ouro, um emprego e poderia finalmente se dedicar a algo que lhe dava prazer e tiraria um pouco as preocupações de sua cabeça. A professora de artes a segurou.
“Mais uma coisa, Eve” Disse ela, enfiando um folheto em suas mãos. “Participar não é obrigatório, mas eu ficaria realmente feliz se você o fizesse.” Então piscou e saiu para dar sua aula.
Enquanto ela lia, Tristan, Riza, Paul, Josh, Line, Juliet, Clarisse e Sarah faziam o mesmo, onde estivessem. O folheto era colorido, mas simples, e anunciava em letras grandes.

XXI CONCURSO DE TALENTOS DA ACADEMIA MELODY

MOSTRE SEU TALENTO E CONCORRA A PRÊMIOS!


Ela sorriu. Iria participar. E, mesmo sem saberem, todos os seus amigos pensavam exatamente a mesma coisa que ela.


Nenhum comentário:

 

Histórias por Andre L. dos Santos | © 2009 Express to Nowhere | by TNB