domingo, 16 de maio de 2010

Capítulo 20

Birthday Eve

Capítulo 20

A verdade. O encontro. A surra.


Eve. Eve sentada. Eve deitada. Eve sorrindo, chorando, cantando distraída. Eve desenhando, tão fofa, concentrada no papel. Eve tomando banho, totalmente nua, como ela tanto gostava de ficar. Dormindo, tranquila. Brava, perseguindo Tristan e Josh, por alguma coisa que eles tenham feito. Olhando com sublime adoração enquanto Tristan cozinhava algo gostoso para ela. Eve. Eve. Eve.
Riza tocou a parede. Precisava se apoiar, ou desabaria no chão. Eve lhe olhava do chão. Das paredes. Do teto. Das mesas cobertas de produtos químicos para revelação. Dos varais mal-feitos, que pendiam por todos os lados acima de sua cabeça, como uma teia abandonada. Fotos. Fotos de todos os tamanhos, formas. Algumas estavam em grandes álbuns encadernados, outras em molduras douradas. Sobrepunham mapas, anotações, cobriam o tapete. Rabiscos, planos, maquinações, anotações que se espalhavam no chão coalhado de imagens da ruiva.
Robert suspirou, meio como se tivesse sido apanhado com uma revista indecente em mãos. Meio como se tivesse que matá-la naquele instante, e não estivesse nada satisfeito com isso.
Riza tremia, tremia de horror, de medo, de repulsa. Seus olhos azulados estavam arregalados, marcados de dor. Suas mãos escorregavam da parede, cobertas de suor gelado. Ela esqueceu que estava enrolada num cobertor, esqueceu todo pensamento sobre a noite, sobre a vida que se seguiria. Tudo que conseguia ver era o rosto lindo da ruiva, que a olhava por todos os cantos.
Os olhos se fixavam nela, acusadores, traidores, amedrontados. Gritavam com ela, berravam súplicas e maldições. Ela abrira a porta do inferno, e todos os demônios eram terríveis ali.
“Robert” Chamou ela, num fiapo de voz que mal saía dos lábios trêmulos. “O que é isso?”
“Eu...” Ele pigarreou, parecendo ligeiramente culpado. “Eu posso explicar.”
Ele ajeitou o cabelo com uma das mãos, então deu um sorriso meio irônico.
“Na verdade” Se corrigiu. “Acho que não posso não.”
Riza queria sair dali. A sala se apertava sobre ela, e os demônios das paredes pareciam ainda mais cruéis. Eles a chamavam, a convidavam para noites de medo e morte. Mortes sem fim, que se seguiriam até o fim dos tempos. Torturas que ela jamais conseguiria aguentar, mas que perdurariam enquanto sua existência continuasse.
“Robert, o que é isso?”
O rapaz suspirou, e sorriu de novo, parecendo simplesmente incomodado, como se seus planos para a noite fossem estragados por uma chuva que não previra.
“Acho que é bem óbvio, não é?” Ele perguntou, ligeiramente sarcástico. “São fotos”.
O coração de Riza se quebrou. Não do jeito que ela imaginava que um dia poderia acontecer. Ele não se esfarelou, não se rompeu ou rachou. Simplesmente pareceu estourar dentro de seu peito, numa pontada tão forte que ela perdeu o ar. O gosto amargo de bile comeu sua língua, e ela sabia que ia vomitar, bem ali, na frente dos demônios, dos horrores ruivos que a olhavam com ódio e temor.
“Você...” Era difícil sequer olhar para aquele monstro ao seu lado, mas a visão das criaturas na sala era ainda pior. “Você está... perseguindo Eve?”
“Sim”.
Seus joelhos não aguentaram mais. Desabou, mas nem sentiu a dor. Simplesmente desmontou, como algum castelo de cartas que alguém soprava. Seus membros se amontoaram, como cabides velhos deixados para trás. A cabeça bateu no peito, o cobertor a descobriu um pouco, e ela não reagiu.
“Sabe, Riza” Começou o rapaz. “Foi uma sorte você estar por aí. Nunca foi tão fácil. Eu tenho alguma experiência no assunto, mas o desafio que imaginei que seria me aproximar de você, e de Eve, simplesmente não existiu.” Ele riu, e seu riso a queimou como ácido. “Você é tão descontrolada, tão simplesmente cega, que em cinco minutos te vigiando eu já sabia tudo o que precisava para meu plano funcionar. Comprar a moto foi a parte mais complicada do plano, posso dizer. Quando a joguei em cima de você e vim com a história de paixão por motociclismo... Você simplesmente comeu na minha mão. Frustrante, eu diria. Onde está a graça, a aventura da coisa, se você facilita tanto assim?”
Ela não queria ouvir. Não queria respirar, não queria viver. Mas suas mãos eram pesadas, muito pesadas, os demônios as seguravam, as mordiam. Ela não podia cobrir os ouvidos, não podia ignorar a voz. Soluçou.
“Eu estava tão perto. Ousaria dizer que hoje mesmo você iria me levar até aquela casa. E então tudo terminaria. Eve estaria comigo, e eu iria embora. Foi assim com todas as outras, todas. Mais alguns passos, e eu estaria livre de você, e teria a ruiva. Mas você tinha que se meter onde não era chamada, não é?”
As lágrimas corriam em silêncio pelo rosto da morena. Seus olhos estavam arregalados, abertos para as trevas que ela podia ver sem fim. As palavras eram açoites, eram brasas com que ele a surrava.
“Sabe como é difícil bancar o namoradinho romântico? Ainda mais para uma garota assim sem graça como você? Se pelo menos tivesse valido a pena ter te comido... Eu não sou de me gabar, mas sinceramente, eu merecia algo melhor.”
Ele sorriu, cruel como o diabo.
“Ainda bem que você gemia como uma cadela, senão eu teria dormido”
Riza levantou, de forma suave como uma pluma. Seus passos se distanciaram dele, em silêncio, cuidadosos. Ele pareceu estranhar aquela reação, e ficou parado um pouco mais do que seria necessário.
Há vantagens em ser “irmã” de Tristan.
Ele jamais soube o que o acertou. Mas foi direto na garganta, e todo o ar sumiu, enquanto ele sentia gosto de sangue. Riza não lutava, não batia. Mas tinha vantagens em ser forte o bastante para desmontar uma moto inteira, e passar anos vendo golpes sendo treinados num quintal. O cobertor escorregou de seu corpo, e ela derrubou um dos varais, espalhando as fotos de Eve pelo chão. Elas flutuavam ao seu redor, como se paradas no tempo, enquanto ela usava o barbante grosso para estrangular Robert.
A corda queimava suas mãos, seus pulsos, mas ela não parava de puxar. O rapaz cuspia e gorgolejava, como se sua garganta estivesse cortada, o ar fugindo para sempre de seus pulmões. Riza gritou, gritou com toda a sua alma, gritou até quase desmaiar, e sentir que jamais falaria novamente. Gritou até que seu coração destruído saísse pela boca escancarada.
Ela o soltou, e seus braços se enrolaram nos varais. Puxou, cortando os pulsos na corda, derrubando fotos e mais fotos. As mesas viraram, os produtos químicos fedidos manchando tudo. Arrancou Eve das paredes, do teto, pisoteou as fotos com os pés nus. Seus braços sangravam, sua garganta doía, seus olhos pareciam morrer em lágrimas sem fim. Robert estava no chão, tossindo, vomitando. Sangue saía de sua boca, e não era o suficiente.
A garota correu, correu e se enrolou num cobertor manchado, correu como se nada existisse além da fuga, a fuga desvairada dela mesma.
Seus pés nus afundaram na chuva, e os pingos lamentosos pousaram em seus cabelos. Ela olhou para cima, para os céus cinza-chumbo, e o sol da manhã já não estava mais ali. Nada estava mais ali. Enrolada na manta, enrolada em barbante, sangue e medo, Riza chorou na chuva, chorou o amor perdido, a inocência perdida, o coração que morrera.
E foi assim que foi encontrada.

Eve acariciou os cabelos da amiga. O abraço entre elas era desesperado, profundo, como se o mundo dependesse daquilo. O coração da ruiva estava cheio de ódio, de ternura, de força, e de uma fome quase irracional de vingança. Vingança do que destruíra Riza, do que pretendia destruí-la. E juntas elas choraram, e adormeceram.
Quando Riza acordou, Eve estava mordiscando uns biscoitos que encontrara na cozinha. A morena estava deitada na cama que um dia fora da ruiva, e estava trocada, limpa e penteada. Curativos estavam em seus braços, e havia uma jarra de água ao seu lado. Ela tomou direto da jarra, deixando a água escorrer por seu queixo, indo fundo na garganta dolorida, parecendo purificá-la até os ossos. Lembrou-se da chuva. Talvez aquela água fria lavasse um pouco de seus pecados, e de suas dores.
“Eve?” Murmurou, rouca.
A garota pareceu enxugar os olhos, e sorriu. Seu nariz estava vermelho.
“O que foi?” A preocupação de Riza era meio desbotada. Seu coração não era mais o mesmo, talvez. Se é que ela ainda tinha um.
“Nada, nada. Como você está?”
“Morta”
Eve tocou os curativos do braço da amiga. Alguns dos cortes ficariam, como uma lembrança. Outros desapareceriam, o tempo curando aos poucos. Ela se lembrou de uma frase, que nem lembrava que conhecia.
“O tempo não cura, apenas tira a atenção do que é incurável” Murmurou, meio que para si mesma. Riza deu um sorriso fraco.
“Muito animador”
Era estranho fazer aquilo, naquele instante, mas a ruiva riu. E foi de ver a amiga rindo que Riza soube que jamais a culparia por aquilo. Jamais a culpa cairia sobre aqueles ombros.
“Você estava chorando?”
“Não é nada” Cortou a garota. “Você quer comer alguma coisa?”
“Que horas são?”
Eve espiou o relógio.
“Já anoiteceu. Quase dez”.
O estômago de Riza roncou, mas ela sabia que não conseguiria comer.
“Onde estão os garotos?”
A ruiva pensou em esconder aquilo, talvez contar mais tarde. Mas sabia que Riza merecia a verdade.
“Eles foram atrás de Robert”.
Riza soluçou na menção daquele nome.
“Pra quê?”
A amiga sorriu com ternura para ela, e a fez se deitar mais um pouco.
“Você acha que Tristan conseguiria ficar quieto depois do que aquele verme fez com a irmã dele? Josh decidiu dar uma trégua na briga dos dois para ajudá-lo. Ele disse que qualquer problema fica em segundo plano quando Riza precisa de ajuda. Eles passaram a tarde se revezando para cuidarem de você. Até George eles chamaram para te examinar.” Eve omitiu a parte que duvidava que o maldito perseguidor fosse sobreviver quando o encontrassem.
“A polícia já foi avisada, e está atrás dele. Revistaram a casa, e encontraram provas de outros crimes daquele monstro. Eles queriam que você testemunhasse, mas... Mas nós pedimos tempo, e eles também acharam melhor esperar.”
“Eu transei com ele”
Aquilo foi tão súbito, que as palavras demoraram algum tempo para que Eve as compreendesse totalmente. Riza olhou em seus olhos.
“Eu transei com Robert. E ele me disse coisas...”
“Nós sabemos. Você contou tudo.”
Riza não lembrava, mas se sentiu um pouco melhor. Não aguentaria contar tudo aquilo de novo.
“Eve”
O chamado era tão suplicante, que a garota não pôde resistir. Ela abraçou Riza, e as duas ficaram sentadas assim por um bom tempo, em silêncio. E então conversaram. Uma conversa de verdade, como poucas vezes acontecera. Enquanto viveu, Eve jamais revelou aquelas palavras a mais alguém. Naquela noite de chuva e medo, as palavras que trocaram ficariam eternamente em seus corações.

Robert arfava, apertando a própria garganta, enquanto se escondia num beco ligeiramente engordurado. Uma montanha respeitável de sacos de lixo estava perto dele, e dois gatos esqueléticos disputavam algum tipo de jogo felino sombrio numa caixa de papelão. Ele cuspiu um pouco de sangue. Aquela maldita já chamara a polícia, com toda a certeza. Ele teria de desaparecer por uns tempos, teria de revirar suas contas alternativas que guardava para momentos como aquele. Era uma droga, ele estava tão perto de colocar as mãos na ruiva...
Duas figuras surgiram na entrada do beco. Josh trazia apoiado no ombro um grosso cano de metal que com certeza não seria usado em alguma construção. Na verdade, os dois estavam mais inclinados para a demolição.
O falso motoqueiro engoliu em seco. Os dois se aproximavam dele, ódio puro nos olhos.
“Ninguém mexe com a nossa irmã e fica numa boa, sabia?” O sorriso de Tristan não era nem um pouco gentil. Josh se preparava para começar a “lição”, quando uma caminhonete amassada parou na entrada do beco, e George saiu do carro.
“Vocês estão loucos?” Disse ele, irritado. “O que diabos está passando pela cabeça de vocês?”
Os dois rapazes se calaram, e Robert sorriu disfarçadamente. Estava salvo!
George sorriu malignamente.
“Como é que vocês fazem algo assim, sem me chamar pra participar?”
E Robert sabia que estava realmente ferrado.

Eve tremia levemente de nervosismo. Josh e Tristan, amarrotados e satisfeitos, pareciam ter finalmente feito as pazes. E depois de uma incrível história e muitos gritos, ela soubera que agora tinha uma irmã. Estremeceu.
Riza estava sentada na poltrona. Parecia abatida, e decididamente machucada, mas George lhe dera chá e fizera carinho em seus cabelos por um bom tempo, e mesmo que ninguém tivesse comentado sobre o que os garotos fizeram naquela noite, ela parecia se sentir um pouco vingada por tudo que Robert tinha lhe feito.
Josh estava trazendo Sarah. Só de imaginar ganhar uma irmãzinha assim e ela já sentia um aperto na boca do estômago. Era ao mesmo tempo a coisa mais maravilhosa e aterradora que acontecera em sua vida, e ela sentia que realmente não estava preparada para aquilo.
A campainha soou, e Tristan destrancou a porta. Riza sorriu fracamente para ela. Era a hora de conhecer a mais nova Bell.
Sarah entrou, arrancando o ar dos garotos. George tentou disfarçar, mas ele ficou totalmente caído pela garota, imediatamente. O maldito loiro realmente sabia fazer uma garota.
“Pessoal, essa é a Sarah” Apresentou Josh, nervoso também.
Não havia dúvidas. Ninguém podia ser naturalmente tão lindo e perfeito assim. Os olhos azuis incríveis da garota se pregaram em Eve e uma emoção profunda surgiu neles, para logo em seguida ser apagada. Eve se aproximou, e Riza pareceu realmente surpresa. Devia ser impossível haver uma garota mais bela que a ruiva, mas havia. Sarah era mais perfeita que qualquer outra.
“Sarah” Disse Eve, num sussurro, ao alcançar a irmã.
“Eve” Respondeu a outra, não conseguindo controlar mais a emoção que a invadia, e elas se abraçaram, com lágrimas nos olhos. E a ruiva soube, naquele instante, que aquela loira era especial para ela. Talvez a ruiva fosse apenas inocente demais, ou puramente idiota, mas todos os laços de irmandade surgiram entre elas naquele instante.
Sarah enxugou os olhos, e então sorriu.
“Você é minha irmã mesmo?” Perguntou, os olhos brilhando.
“Sim.” Eve sorriu mais ainda. “Nós somos irmãs agora”.
Tristan bateu de leve no ombro de Josh, e os dois trocaram um único olhar.
“Você tem o dom, meu amigo” Brincou o castanho. O loiro suspirou.
“Desculpe por tudo, cara. Eu... Eu fico feliz que Eve tenha ficado. E desta vez eu sei o que estou fazendo. Você vai ver, Sarah vai ser a garota mais feliz do mundo, eu juro”.
Tristan sorriu tristemente e assentiu.
“E vocês?” Perguntou o amigo.
O rapaz suspirou alto, e olhou para Eve, que conversava com a irmã.
“Você tinha razão. Eu sou um idiota, e cego. Mas acho que é tarde demais. Pisei na bola com Eve, totalmente, e ela tem todos os motivos pra não me perdoar.”
Ele achou melhor omitir a história sua declaração ignorada pela garota.
“Eve gosta de você, Tristan. Ama de verdade. Ela vai te perdoar.”
Tristan sorriu.
“É claro, se você não estragar tudo de novo” Josh terminou. O sorriso do amigo apagou.
“Muito animador. Obrigado, J.”
“Sempre que precisar companheiro”.
E com um aperto de mão secreto, compartilhado pelos dois desde a terceira série, a amizade deles selou-se novamente.
O telefone de George tocou, e ele falou por alguns minutos, sério e carrancudo. Então desligou e virou-se para os jovens.
“É do hospital. Arty foi encontrado inconsciente. Ao que parece, ele tentou explodir o próprio laboratório, e foi pego na explosão. Está internado na UTI. Ele está consciente, mas...”
O médico engoliu em seco.
“Preciso ir”.
Enquanto todos se levantavam e começavam a discutir em voz baixa, e George preparava sua partida, Sarah se afastou, indo até o banheiro. Fechou a porta, e suspirou, esfregando suas têmporas.
Você é minha irmã mesmo?” Imitou sua própria voz, em deboche. Então fez uma careta, checando no espelho se estava tudo em ordem com suas roupas. “As coisas que a gente tem que fazer...”
Ela fixou a imagem da ruiva na cabeça, e então fechou a cara.
“Como se uma fracassada daquelas pudesse realmente ser a minha irmã”.
A loira tirou um rímel da bolsinha e começou a retocar sua maquiagem, mesmo que não houvesse falha alguma.
“Você vai ver, Eve.” Ela cantarolou. “Sarah vai tirar tudo de você. Começando por aquele idiota que você tanto olha...”
Alguém a chamou. Josh, o cara que a tinha comprado. Ele era valioso, tinha dinheiro e atendia a todos os seus desejos. Seria fácil, tão fácil, acabar com a vidinha daquela idiota ruiva.
Montou no rosto um sorriso perfeito, cuidadosamente, e seus olhos brilharam de alegria puramente falsa. Guardou o rímel.
“Já estou indo” Gritou ela, ajustando uma última vez sua máscara de felicidade. Então saiu do banheiro.

Robert cuspiu um dente. Era uma péssima noite para ele. Perdeu a “namorada”, perdeu a ruiva, e agora havia perdido a maior parte de seu sorriso. Seu braço estava decididamente quebrado, e ele com toda a certeza não conseguiria levar dali por um bom tempo. Quando estava lamentando sua falta de sorte, dois imensos faróis surgiram no beco, o cegando totalmente.
A porta do carro se abriu, e um velho saiu do veículo, apoiado numa grossa bengala de madeira escura. Seu terno negro era bonito e sério, perfeitamente arrumado. Os cabelos eram prateados, e pareciam brilhar. E os olhos eram cruéis.
“Sr. Robert, que prazer em vê-lo nessa noite tão bonita” Cumprimentou ele, enquanto mais trovões ressoavam no céu. Mais chuva cairia antes do fim da noite.
Robert cuspiu novamente, não queria papo com nenhum esquisito.
“Parece meio abatido, Sr. Robert. Não precisa levantar, meu assunto é rápido” O homem sorriu com escárnio diante da figura arrebentada do rapaz. “Acredito que o senhor tenha feito uma pesquisa muito interessante sobre uma determinada criatura...”
Uma foto surgiu na mão do velho. A ruiva sorridente. Robert ficou congelado em seu lugar.
“O que você quer?” Perguntou, entre cuspidelas e gemidos, por entre os dentes quebrados.
“Infelizmente, assim como você, eu acabei de perdê-la. Mas acho que podemos trabalhar juntos, Sr. Robert, e lucrarmos bastante”
“Eu recuso”
O velho sorriu largamente, estalando os dedos. Dois homens de terno e óculos escuros saltaram do carro e agarraram o rapaz, sem se importarem com seus machucados.
“Eu não acho que o senhor tenha essa opção” Disse o velho, enquanto o enfiavam no porta-malas escuro. Ele tentou gritar, mas a porta desceu e abafou todos os sons.
O velho subiu novamente no carro, e os homens sentaram-se nos bancos da frente, dando partida no carro.
Ele acendeu um charuto que guardava para ocasiões especiais. Satisfeito, murmurou alguns compassos de uma velha canção de sua juventude. Podia não ter a garota, mas agora tinha uma excelente pista, e uma boa fonte de informações. O céu trovejou mais uma vez. Sorriu.
Mallick gostava de tempestades.

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